Concursos Públicos : dicas, resumos e jurisprudência
Sábado, 27 de Outubro de 2007 16h32
JOSUÉ ALVES DA SILVA: Licenciado em Letras (Língua Portuguesa e Literatura Brasileira)/Inglês. Pós-graduando em Direito Administrativo. Em 2º lugar no concurso para Consultor Legislativo, na área de Redação Parlamentar, aguarda a nomeação da Câmara. Ministra cursos de Língua Portuguesa (aprofundamento e preparatório para concursos e vestibulares) desde 1993 e atualmente é professor do Pró-cursos. Foi professor e coordenador do Curso Infinito preparatório para concursos e vestibulares, professor do Colégio Objetivo e do NDA. É servidor do TJDFT desde 1994, lotado na 1ª Turma Recursal, onde desempenha tarefa voltada para a revisão e correção de acórdãos. Além disso, desenvolve trabalhos de treinamento e consultoria no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no Ministério Público do Distrito Federal, nos Ministérios. Trabalha também com interpretação e intelecção de textos e redação.




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Interpretação de texto - Analista de Sistema

Texto I

(UnB/CESPE – DETRAN/PA - Analista de Sistemas em 14-05-2006)

(Assuntos: tipologia textual / idéia central / argumentação)

Texto para a questão 1 

A conservação e o uso sustentável da diversidade biológica — a enorme variedade de vida na Terra — é essencial para o nosso desenvolvimento econômico e a  qualidade de vida de cada um de nós. A maioria das coisas que usamos no dia-a-dia — o que comemos e bebemos, o material que usamos para construir nossas casas ou os remédios de que precisamos para curar doenças — depende dela. Mas, hoje, o mundo está perdendo sua biodiversidade a uma velocidade alarmante porque os nossos padrões de desenvolvimento permanecem insustentáveis. Além disso, a globalização está deixando nossas economias nacionais e regionais cada vez mais interligadas. O que consumimos na Europa tem efeito sobre a floresta amazônica no Brasil. Precisamos, portanto, entender melhor essas ligações e garantir que o nosso desenvolvimento econômico e social conserve a biodiversidade, em vez de prejudicá-la.

                               Stavros Dimas. Em nome da biodiversidade. In: Folha de S. Paulo, 26/3/2006 (com adaptações).
 

Assinale a opção correta a respeito da organização das idéias no texto.
 

A. O desenvolvimento da argumentação sugere que o autor tem uma posição contrária à globalização.

B. Pelo emprego de verbos e pronomes no texto, o autor se inclui na argumentação do texto, assim como inclui o leitor.

C. Depreende-se da argumentação do texto a relação inevitável: não é possível haver desenvolvimento econômico com preservação ambiental.

D. A idéia central em torno da qual se organiza a argumentação do texto é a preservação da floresta amazônica.

RESPOSTA: B
 

TEXTO II

(Assuntos - lead e os elementos da narração)

(UnB/CESPE –  Papiloscopista da Polícia Federal) Uma narrativa estrutura-se a partir dos seguintes elementos: quem, quando, realiza o quê, onde, como e porquê. Assinale a opção que contempla todos esses elementos nessa ordem:
 

(A) Os pais de Roberto Carlos, há pouco mais de um quarto de século, deixaram o filho entregue à Febem, como menor abandonado, porque eram proletários marginais.

(B) Roberto Carlos, na infância, foi enviado à Febem, de onde fugiu 132 vezes, porque, irrecuperável, cometia pequenos delitos.

(C) Beto Pivete já cometia pequenos furtos: cheirava cola de sapateiro e fumava maconha, diariamente, porque era irrecuperável aos olhos da sociedade, antes de ir para a França, felizmente.

(D) Roberto Carlos Ramos hoje cria os doze filhos, em Belo Horizonte, com carinho e educação, pois acredita que eles podem exercer plenamente a cidadania.

(E) O protagonista da Fábula Moderna passou mais de um terço de sua vida na Febem, na situação de analfabeto, até ser amparado por uma francesa, corajosa, porque ela acreditava na necessidade de sua recuperação. 

RESPOSTA: D 

TEXTO III

(Assuntos: tipologia textual- narração, descrição e dissertação)

Rio de Janeiro,

Rio de Janeiro,

Rio de Janeiro,

Rio de Janeiro,


Cristo Redentor

Braços abertos sobre a Guanabara

Este samba é só porque

Rio, eu gosto de você

A morena vai sambar

Seu corpo todo balançar

Aperte o cinto vamos chegar

Água brilhando, olha a pista chegando

E vamos nós

Aterrar

 

(IBMEC – junho de 2007) O texto é predominante:

(A) dissertativo, pois o eu-poético apresenta seu ponto de vista sobre a cidade do Rio de Janeiro.

(B) descritivo, pois descrevem-se as ações do eu-poético até sua chegada ao Galeão.

(C) descritivo, porque, sob o pretexto de um sobrevôo pela cidade, descrevem-se as belezas do Rio de Janeiro.

(D) argumentativo, pois apresenta elementos que comprovam a beleza da cidade.

(E) narrativo, pois o narrador relata detalhes de seu sobrevôo pelo Rio de Janeiro. 

RESPOSTA: E

 

Texto IV

(UnB/CESPE – DPF/DGP – Papiloscopista da Polícia Federal – em 30/05/2004)

(Assuntos: estrutura e tipologia textual)

          O filme Central do Brasil, de Walter Salles, tem como protagonista a professora aposentada Dora, que ganha um dinheiro extra escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, estação ferroviária do Rio de Janeiro. Outra personagem é o menino Josué, filho de Ana, que contrata os serviços de Dora para escrever cartas passionais para seu ex-marido, pai de Josué. Logo após ter contratado a tarefa, Ana morre atropelada. Josué, sem ninguém a recorrer na megalópole sem rosto, sob o jugo do estado mínimo (sem proteção social), vê em Dora a única pessoa que poderá levá-lo até seu pai, no interior do sertão nordestino.

          Dos vários momentos emocionantes do filme, o mais sensibilizante é o encontro de Josué com os presumíveis irmãos que, como o pai elaborado em seus sonhos, são também marceneiros. A Câmera faz uma panorâmica no interior do sertão para mostrar um conjunto habitacional de casas populares recém-construídas; em uma das casas, os moradores são os filhos do pai de Josué que, em sua residência simples, acolhem para dormir Josué e Dora. Os irmãos dormem juntos e dividem a mesma cama. Existe uma comunhão de sentimentos entre os irmãos: os que têm um teto para morar, têm trabalho, dão amparo ao menino órfão sem eira nem beira.

          No filme, a grande questão do analfabetismo está acoplada a outro desafio, que é a questão nordestina, ou seja, o atraso econômico e social da região. Não basta combater o analfabetismo, que, por si só, necessitaria dos esforços de, no mínimo, uma geração de brasileiros para ser debelado, pois, em 1996, o analfabetismo da população de 15 anos e mais, no Brasil, era de 13, 03%, representando um total de 13,9 milhões de pessoas. Segundo a UNESCO, o Brasil chegaria ao ano 2000 em sétimo lugar entre os países com maior número de analfabetos.

          No Brasil, carecemos de políticas públicas que atendam, de forma igualitária, a população, em especial aquelas voltadas para as crianças, os idosos e as mulheres. A permanência da questão nordestina é um exemplo constante das nossas desigualdades, do desprezo à vida e da falta de políticas públicas que atendam aos anseios mínimos do povo trabalhador. Não saber ler nem escrever, no Brasil, é um elemento a mais na desagregação dos indivíduos que serão párias permanentes em uma sociedade que se diz moderna e globalizada, mas que é debilitada, naquilo que é mais premente ao povo: alimentação, trabalho, saúde e educação. Sem essas condições básicas, praticamente se nega o direito à cidadania da ampla maioria da população brasileira.

          Os ensinamentos que podemos tirar de Central do Brasil são que devemos atacar a questão social de várias frentes, em especial na educação de todos os brasileiros, jovens e velhos; lutar por políticas públicas de qualidade que direcionem os investimentos para promover uma desconcentração regional e pessoal da renda no país, propugnando por um novo modelo econômico e social. Ao garantir uma vida digna, a maioria da população saberá, por meio da solidariedade de classe, responder às necessidades da construção de uma sociedade mais justa. Central do Brasil é um exemplo vivo de que o Brasil tem rumo e esperança.

                                                                                                  Salvatore Santagada. Zero hora, 20/3/99 (com adaptações)

A partir do texto, julgue os itens a seguir.        

1. ( )  Depreende-se, pelo primeiro parágrafo, que o texto faz parte de um relatório técnico, por meio do qual é dada ao leitor a síntese do roteiro elaborado por Walter Salles.

2. ( ) O segundo parágrafo do texto é, predominantemente, descritivo, mas, a partir do terceiro parágrafo, o texto tem caráter dissertativo, por apresentar argumentos que defendem o ponto de vista do redator.

RESPOSTA: F / V

Texto V

Filosofia dos Epitáfios

(Assuntos: tipologia textual / paráfrase)

 

Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos.

                                          (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)

 

1. (Fuvest 95) Do ponto de vista da composição, é correto afirmar que o capítulo "Filosofia dos epitáfios":

a) é predominantemente dissertativo, servindo os dados do enredo e do ambiente como fundo para a digressão.

b) é predominantemente descritivo, com a suspensão do curso da história dando lugar à construção do cenário.

c) equilibra em harmonia narração e descrição, à medida que faz avançar a história e cria o cenário de sua ambientação.

d) é predominantemente narrativo, visto que o narrador evoca os acontecimentos que marcaram sua saída.

e) equilibra narração e dissertação, com o uso do discurso indireto para registrar as impressões que o ambiente provoca no narrador.

RESPOSTA: A

 

2. (Fuvest 95) "Saí afastando-me... epitáfios." Dando nova redação a essa frase, SEM alterar as relações sintáticas e semânticas nela presentes, obtém-se:

a) Quando me afastei dos grupos, fingi ler os epitáfios e então saí.

b) Enquanto me afastava dos grupos e fingia ler os epitáfios, fui saindo.

c) Fingi ler os epitáfios, afastei-me dos grupos e saí.

d) Ao afastar-me dos grupos, fingi ler os epitáfios, antes de sair.

e) Ao sair, fingia ler os epitáfios e afastei-me dos grupos.

RESPOSTA: B



Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: SILVA, Josué Alves da. Interpretação de texto - Analista de Sistema. Clubjus, Brasília-DF: 27 out. 2007. Disponível em: <http://www.clubjus.com.br/?artigos&ver=1139.11278>. Acesso em: 28 jul. 2014.

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